Bragança Paulista, sexta-feira, 4 de abril de 2021

O Taboão de antigamente




Até os anos 60, Bragança era bem diferente, não passava de uma pacata cidade do interior.

No bairro do Taboão, todas as pessoas se conheciam, e a vida fluia devagar e sempre.

Não havia supermercados e era nas vendas da época, como a do Sr. Ernesto Scardilhi, ou no Mercadão Municipal, que se comprava o arroz e o feijão de cada dia. Utilizava-se uma simples caderneta, onde eram anotadas as mercadorias adquiridas e o preço de cada uma delas, sempre para pagamento no mês seguinte.

Frutas, verduras e legumes, quando não eram plantados pelas próprias pessoas em suas casas, eram comprados de gente como o Dito, que tinha um problema num dos braços e todo dia percorria as ruas do bairro com a sua charrete vendendo seus produtos.

A distribuição de água era sofrível, o "SAAE" fechava os registros das ruas do bairro as 9:00 h da manhã e só reabria as 17:00 h. Ruim para quem não tinha caixa d'água, um luxo na época.

Na Rua 13 de Maio, ainda sem calçamento e de terra, uma das diversões da criançada era adivinhar quem estava tomando banho no começo da noite, pois bastava alguém ligar o chuveiro que as lâmpadas incandescentes da rua sofriam uma enorme queda de energia e ficavam piscando a cada chuveiro ligado.

Os privilegiados que possuíam uma TV preto e branco na época, eram obrigados a comprar um transformador manual e tinham de ficar o tempo todo aumentando e baixando a voltagem para o aparelho não queimar, de tanto que a energia oscilava. Era costume na época quem não tinha TV ir assistir aos programas à noite na casa de algum vizinho.

Brincava-se de jogar pião, bolinha de gude, de esconde-esconde, cabra cega, pular corda, passa anel, batata quente e bolinha de sabão e empinar pipas.

As meninas brincavam de roda, amarelinha, casinha e com bonecas.

Nos dias de Santo Antonio, São João e São Pedro, a rua era enfeitada com bandeirinhas, acendia-se fogueiras e distribuía-se pinhão, batata-doce, pipoca e quentão à vontade para o pessoal.

Desde a Rua Arthur Siqueira até o Lago do Orpheu, onde hoje é o Jardim Europa, havia uma grande plantação de eucaliptos, e à noite sentia-se o perfume que se espalhava pelo baitto da flor dessa árvore.

O lago era bem pequeno, e na maior parte um brejo, quase sempre tomado de taboas, nada mais.

E a estação Taboão da EFB, próxima das oficinas da ferrovia, era a porta de entrada e saída da cidade.

O tempo passou e nada disso existe mais. Resta apenas a lembrança na memória de quem um dia esteve lá.


Carlos S. Filho





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